
O marketing já não funciona como antes. Essa foi a sensação que ficou após o CMO Summit 2026.
Ao longo dos dois dias, o evento reuniu lideranças de grandes empresas e trouxe discussões que vão além do discurso comum sobre tendências. O que apareceu foi um cenário mais exigente, onde branding, dados, conteúdo e tecnologia precisam funcionar de forma conectada.
As palestras mostraram que o desafio está em fazer melhor, com mais estratégia e menos fragmentação.
Reputação se tornou um ativo estratégico
O painel com Beatriz Guarezi, Carol Lima, Ariane Abdallah e Ana Carvalho trouxe uma mudança importante na forma de enxergar a autoridade.
A construção de influência não depende mais do cargo.
Segundo as participantes, profissionais que se posicionam, compartilham conhecimento e constroem presença constante acabam ampliando seu impacto no mercado.
Isso vale tanto para indivíduos quanto para empresas.
A jornada de compra deixou de ser previsível
A apresentação de Samira Cardoso foi uma das mais diretas sobre comportamento.
Ela trouxe uma crítica ao modelo tradicional de funil, que ainda é muito utilizado para organizar estratégias, mas já não representa o que acontece na prática.
Hoje, o consumidor transita entre canais, conteúdos e plataformas de forma não linear. Pesquisa, consome conteúdo, interage com anúncios, consulta IA e retorna em momentos diferentes até tomar uma decisão.
Isso exige uma visão integrada entre branding, mídia e conteúdo.
Cultura local como estratégia de expansão
A palestra de Louise Rossetti, da H&M, trouxe um exemplo concreto de construção de marca.
Ao falar sobre a entrada da empresa no Brasil, ela destacou que não houve adaptação de uma campanha global.
O projeto foi construído a partir do contexto brasileiro, com conexão direta com música, diversidade e identidade cultural. Ao mesmo tempo, precisava manter coerência com o posicionamento global da marca.
Esse equilíbrio entre consistência e adaptação foi apresentado como um dos principais fatores de sucesso.
Inteligência artificial aplicada à tomada de decisão
A palestra de Paulo Krieser trouxe um uso mais prático da tecnologia.
Ele mostrou como a IA pode ser aplicada para entender melhor o público e apoiar decisões estratégicas com base em dados.
Mesmo com esse avanço, ainda existe uma distância entre o potencial das ferramentas e o uso real pelas empresas, que muitas vezes continuam operando com base em percepção.
Execução continua sendo diferencial
Em meio a tantas discussões sobre tecnologia, a fala de Daniel Waks trouxe um contraponto relevante.
Crescimento consistente ainda depende de execução.
Clareza de posicionamento, consistência na comunicação e criatividade aplicada continuam sendo fatores decisivos.
Ferramentas ajudam, mas não substituem estratégia nem disciplina.
O CMO Summit 2026 reforçou que o marketing entrou em uma fase mais exigente.
A integração entre branding, dados, conteúdo e tecnologia deixou de ser diferencial e passou a ser requisito.
Ao mesmo tempo, os fundamentos continuam sustentando os resultados.
O desafio agora é estruturar estratégias que façam sentido nesse novo contexto e que consigam se manter consistentes ao longo do tempo.



