
A literatura independente brasileira é vibrante. Autores publicam com autonomia, exploram narrativas inéditas e ampliam a bibliodiversidade. No entanto, ainda temos pouquíssimos dados concretos sobre essa produção. Pesquisas oficiais abrangem editoras tradicionais, que representam bilhões de reais em faturamento e dezenas de milhares de títulos por ano, mas contemplam poucas ou nenhuma editora e autores independentes.
Mesmo as informações disponíveis sobre autopublicação são fragmentadas e escassas. Dados como o crescimento de 30% no número de livros autopublicados, registrado pela Agência Brasil, ou os mais de 23 mil ISBNs emitidos para pessoas físicas, contrastam com a ausência de levantamentos amplos e recorrentes. Essa lacuna mantém a produção independente como um território pouco mapeado, que avança em fragmentos e segue invisível para grande parte do público.
Foi pensando nesse vazio informativo e na força da produção independente que as jornalistas Juliana Carvalho, colaboradora da Primeira Via, e Isadora Camello desenvolveram, como projeto de conclusão do curso de Jornalismo da UFSC, o Sága — um portal de jornalismo cultural dedicado exclusivamente a essa literatura que foge do mainstream. O nome Sága remete à deusa nórdica da poesia e dos contos e à saga de livros, simbolizando um espaço de contação de histórias que existem fora da lista de mais vendidos da Amazon.
Por dentro do Sága
Com uma abordagem crítica e sensível, o projeto se propõe a mapear a literatura independente brasileira por meio de reportagens autorais, entrevistas exclusivas, newsletters quinzenais e o podcast Aspas, em que escritores independentes compartilham suas trajetórias e processos criativos.
“Nosso objetivo é criar pontes, ampliar repertórios e dar visibilidade a vozes que seguem suas próprias rotas editoriais, fora das grandes livrarias e de e-commerces como a Amazon, que priorizam os best-sellers”, completa Juliana.
Mais do que cobrir lançamentos ou indicar leituras, o Sága se dedica a contextualizar o cenário da autopublicação e da edição independente no Brasil. O conteúdo é produzido com linguagem acessível, curadoria rigorosa e um olhar atento para a bibliodiversidade, ou seja, a pluralidade de vozes, gêneros e experiências que compõem a produção literária fora do mainstream.
O projeto valoriza tanto os bastidores quanto as obras, incluindo quem escreve, como publica, quais são os desafios enfrentados e quais caminhos têm sido traçados por fora das grandes editoras. Também busca oferecer ao leitor um espaço de descoberta: novos nomes, novos gêneros, novos formatos.
Lançamento
O Sága será lançado oficialmente no final de agosto de 2025, com site e redes sociais já preparados para compartilhar os primeiros conteúdos logo de cara. É uma aposta na visibilidade, na inclusão de vozes diversas e na construção de um público com olhar crítico e aberto.
Nós, da Primeira Via, temos orgulho de assinar este texto na apresentação do projeto, celebrando a iniciativa de uma colaboradora que transforma um tema negligenciado, a produção literária independente, em projeto com potencial de ampliar o diálogo cultural brasileiro.



