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Tempo de Leitura: 9 minutos

O Instagram vai morrer?

O tema dos últimos dias foi o Instagram. Recentemente, o diretor do Instagram, Adam Mosseri, anunciou que o Instagram não será apenas uma plataforma de compartilhamento de fotos.

Essas atualizações ocasionaram muitas discussões sobre o posicionamento da marca e a forma com que as pessoas usam a plataforma. 

Para os usuários, isso não é uma novidade. Entretanto, Mosseri enfatizou que a empresa irá focar em vídeos e entretenimento tal qual  os concorrentes, TikTok e Youtube, bem como “abraçar” esse recurso de forma mais ampla adaptando a forma de assistir a esses vídeos. 

A recomendação de vídeos de pessoas que ainda não conhecemos também é uma dessas atualizações. Além disso, Mosseri falou sobre a intenção de ajudar os criadores de conteúdo a fazer dinheiro. 

Em novembro de 2020, outra mudança foi a pauta da vez: a “transformação” do layout da tela inicial dando destaque para o recurso Reels e ao Instagram Shop. 

Durante 10 anos, nosso olhar era direcionado ao recurso de notificações que foi substituído pelo recurso Instagram Shop. Muitos usuários já vinham criticando as mudanças da empresa que afirmou que “segue tendências e prioriza o que as pessoas querem ver”.

Com constantes atualizações, a crescente reclamação de falta de alcance (priorizando o ADS, vamos chegar lá), surge o questionamento: o Instagram é a única opção para repositório de conteúdo, portfólio ou forma de potencializar uma marca pessoal ou negócios? 

 CO>PHY no Instagram:

Relembrar é viver

O app que se popularizou a partir do compartilhamento de fotos completa 11 anos em outubro. No fim de 2011, foi eleito pela Apple o melhor aplicativo para iOS, com 15 milhões de usuários. Em abril de 2012, a plataforma expandiu o seu alcance lançando a versão do app para Android. 

O criador do Facebook, Mark Zuckerberg, de olho nas trends, não perdeu tempo e, no mesmo mês, adquiriu a rede social por US$ 1 bilhão. Em 2013, acessamos a primeira possibilidade de vídeo com gravações de até 15 segundos.

Em 2015, observamos o surgimento do Instagram Ads. Já em 2016, esse surgimento foi legitimado pela atualização da vez: o Instagram for Business. 

Nesse momento passamos a observar a diferenciação de contas empresariais e pessoais, com funcionalidades específicas para empresas, com o objetivo de otimizar a performance na rede. Embora o Facebook tenha negado que “nós somos o produto” vale lembrar que estamos tratando de uma empresa que movimenta bilhões. 

 

Mas como estamos usando esse recurso? 

O que era parte do nosso recorte de mundo emoldurado em fotos, que depois se transformou em um desdobramento de conteúdos de outros locais, por fim tornou-se o principal canal de marcas, empresas e creators. 

O mercado de influência cresceu junto ao  investimento por parte das empresas. A terceira edição da pesquisa “ROI e Influência 2021”, do YouPix, constatou que o investimento em influencers cresceu  68% de 2019 para 2021. Para 71% das 94 empresas que participaram da pesquisa, os influenciadores são parte central do seu planejamento.  

Outra tendência que a pandemia acelerou foram os  infoprodutos. De acordo com a Hotmart, o crescimento da busca por cursos online foi de 161%

Além disso, o número de profissionais interessados em oferecer seus conhecimentos também cresceu. Para a Udemy, marketplace destinada a ensino e aprendizado, o crescimento de inscrições a nível global foi de 425%, enquanto o de criação de formações foi de 55%.  

Dentro da comunicação e do marketing, observamos diversas fórmulas de lançamento relacionadas com empreender no digital, ensinando profissionais das mais diversas áreas a potencializarem os seus negócios. Muitas vezes exclusivamente no Instagram. 

A diversão de alguns ou mais um canal para outros, passou por diversas fases que foram das fotos e selfies, para a onda de “conteúdo de valor full time”. 

Isso ocasionou a exaustão e a sensação de não dar conta do algoritmo e passamos a questionar esse ritmo. Em maio, a revista Trip deu destaque para um tweet muito pertinente que discutia justamente essa nova (não tão nova) necessidade da produção de conteúdo por parte dos profissionais e microempreendedores nas redes. 

Trip no Instagram:

Mas temos mesmo que virar blogueiros sem blog? 

Contente.vc no Instagram:

Falar de comunicação é falar de movimento. E esses cenários passam por constantes modificações. 

Naturalmente, se adequar a esses meios e se encaixar nos cenários digitais na busca dos seus consumidores é um caminho trilhado por marcas e profissionais. Entretanto, não existem limites na internet para quem quer comunicar. 

Antes de falar do mercado de influência, pensando em produzir conteúdos e compartilhar experiências, precisamos relembrar o passado. O ano era 1999 quando os blogs passaram a ganhar notoriedade. 

O Fotolog começou a se popularizar nos anos 2000. Entre 2005 e 2006, o Youtube e o Twitter ganharam vida e anunciavam um pouco da cultura de convergência de Henry Jenkins. 

Deixar de ser apenas receptores passivos e compartilhar nossos conhecimentos com outras pessoas foi fantástico em muitos momentos. 

No Social Media Day deste ano, evento organizado pela RD Station, ao ser questionada sobre seu formato favorito de conteúdo, a creator e community manager, Carol Figueiredo deu uma dica super pessoal: ainda existem pessoas que querem ler, existem pessoas que querem consumir slow content. 

Podcasts, blogs e newsletters são formas de respiro para a instantaneidade da internet e a forma com que fomos condicionados a atualizar feeds. 

Por fim, levei alguns dias para escrever esse textinho acompanhando o diálogo virtual da minha rede favorita: o twitter. De forma “rápida”, não tão rápida, tentei pontuar algumas coisas que influenciam nessa atmosfera. 

Para os creators, outras plataformas beneficiam a produção de conteúdos. Para empresas, outros locais também são prósperos. 

Mas é impossível analisar relações e história sem ficar nostálgico. Lembrei de quando eu era criança e queria ser blogueira no Blogspot e de como o Orkut nos deixou órfãos da comunidade “Eu odeio segunda-feira”. 

Agora, o Instagram nos ocasiona a mesma sensação de nostalgia junto da lembrança de um limitado número de filtros para imagens no feed menos pretensiosas. 

As redes sociais inicialmente chegaram como uma alternativa de conexão entre pessoas. O Instagram passou a ser uma alternativa mais acessível do que a criação de um site para microempreendedores. Mais prático do que a edição de um vídeo de 30 minutos para o Youtube.

Uma oportunidade para muitas pessoas monetizarem suas expertises e influenciarem positivamente suas comunidades. Mas assim como qualquer tendência, não deve ser carro chefe ou ferramenta central de nosso dia a dia. 

Muitos não irão dançar conforme a música do momento. Mas ainda existe um universo web para fazermos um uso saudável, consumirmos informações e nos relacionarmos com amigos. E as mídias sociais vão além do Instagram.  

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