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Tempo de Leitura: 7 minutos

A TV aberta vai acabar? Conheça a história e os motivos pelos quais a televisão continua forte no Brasil

A TV aberta vai acabar? Para a alegria do pai da “caixa mágica”, Assis Chateaubriand, este fato está longe de acontecer. A TV aberta não vai acabar e no dia nacional da televisão, não posso deixar de falar dele: do Chatô, rei do Brasil.

Chatô é meu conterrâneo, nasceu na Paraíba. Foi jornalista e responsável por trazer a televisão para o Brasil, na década de 50. Além disso, ele era um amante das artes. O Museu de Arte de São Paulo (MASP) leva o seu nome, pois o empresário fez a compra das obras e teve a iniciativa da fundação deste e de inúmeros outros museus.

Mas como nem tudo são flores, Francisco Assis Chateubriand, apesar de criar um verdadeiro império da comunicação e exercer grande influência nos rumos do país, foi uma figura absolutamente controversa, que costumava utilizar seu domínio midiático para defender seus próprios interesses pessoais e políticos.

Voltando à pergunta que não quer calar: a internet vai acabar com a televisão? Não é o que consta nas últimas pesquisas. Continue a leitura para entender um pouco mais sobre o poder da televisão, os motivos pelos quais a TV aberta continua imbatível e o que esperar do futuro.

A TV na pandemia

Apesar do fato de que o número de usuários das redes sociais seja expressivo e que a maioria de nós passa muitas horas do dia verificando notificações e rolando o feed, as últimas pesquisas apontam que não é só “cringe” (ainda pode usar esse termo?) quem assiste à TV aberta. 

Desde que começou a pandemia, o Jornal Nacional ganhou mais de 1,5 milhões de jovens telespectadores por dia, com idades entre 15 e 29 anos. O jornal mais assistido pelos brasileiros foi considerado o mais confiável para se atualizar sobre os acontecimentos da pandemia de covid-19. 

Mas nem só de notícias vivemos, né? O reality show BBB 21 teve a sua maior audiência em onze anos – com média de 27 pontos e 51% de participação, segundo o PNT (Painel Nacional de Televisão).

Outro estudo que só fortalece a tese de que a TV aberta não vai acabar é o da Kantar Ibope Media. A partir da pesquisa, foi possível contabilizar que 96% da população assistiram à TV, aberta ou paga, em 2020. O consumo ultrapassou sete horas por dia, 37 minutos a mais do que em 2019. 

E quem pensa que só a Juliette do BBB recebe dezenas de milhões em publicidade nas redes sociais se engana, viu? Ainda de acordo com a pesquisa, de janeiro a junho de 2020, os espaços negociados nos intervalos comerciais e em ações de merchandising geraram R$ 3,1 bilhões para os canais de TV aberta. 

Não restam dúvidas: a internet não vai acabar com a TV aberta. Nem as dancinhas dos aplicativos, nem as plataformas de streaming acabaram com o poder da televisão, pelo menos por enquanto. Assim como o rádio não acabou, depois do auge da TV, com o boom da internet, a TV continua sendo indispensável nas casas dos brasileiros.

Por que a TV aberta continua imbatível?

Aquele ditado se encaixa bem com esse tema “Nada se perde…Tudo se transforma”. A tv aberta busca a todo momento transformar e adaptar sua programação para permanecer imbatível. E está conseguindo. Pelo menos, por enquanto.

Os millennials, como eu, provavelmente vão concordar que toda a transformação da tv aberta não começou com a chegada de canais pagos ou com a explosão da Netflix. Começou com o fim da “Tv Globinho”. 

Pois é. Desde que a internet e o streaming foram se tornando cada vez mais comuns nos lares brasileiros, a TV está em constante transformação. Mas apesar de grandes mudanças como a saída da Fátima Bernardes do Jornal Nacional e o Huck substituindo o Faustão no Domingão, alguns programas ainda permanecem iguais: “Silvio Santos volta ao SBT após mais de um ano sem gravar”.

Os motivos pelos quais a tv aberta continua forte no Brasil são muitos. Mas podemos destacar alguns:

  • De acordo com o relatório “Acesso fixo à internet”, do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), apesar do avanço no número de usuários de internet nos últimos anos, 47 milhões de brasileiros ainda permanecem desconectados.
  • Para Rodolfo Bonventti, professor de rádio e televisão, “a TV está incorporada ao cotidiano do brasileiro, e isso não vai mudar de uma hora para outra. Em algumas residências, a TV está ligada como companhia. É algo muito mágico e poderoso”.
  • Segundo dados da Via Varejo do Rio e do Distrito Federal, as vendas de TVs de 55, 50 e 32 polegadas cresceram mais de 200% durante a pandemia e superaram a venda de celulares.

Digo mais: a relação da TV aberta com o brasileiro é cultural. Laço difícil de ser desfeito a curto prazo. Sobre isso, em entrevista, o jornalista Gabriel Priolli, que trabalhou como editor executivo na Globo, na Record TV e na Bandeirantes e foi diretor na TV Cultura e na TV Gazeta, ponderou: “A televisão continua sendo a principal mídia do país, mas ela perde a centralidade absoluta, não é a dona da voz e da palavra. A internet muda isso, são milhões falando com milhões, o espectador não é mais um ser passivo”.

E se você, que está lendo este texto, não assiste mais à tv aberta como antes, agora sabe que faz parte de uma minoria, pois a televisão ainda é o principal meio de comunicação em nosso país. Por isso, profissionais, empresas e principalmente nós, comunicadores, devemos estar atentos a essas transformações para aproveitarmos ao máximo todas as oportunidades e possibilidades que a tv pode nos proporcionar.

E você, está entre os que não dispensam a TV para se informar ou entreter? 

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