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Tempo de Leitura: 7 minutos

Slow content: precisamos de tempo para criar e processar tanto conteúdo

Você sabe o que é slow content? Numa tradução livre, seria conteúdo lento. Na prática, significa produzir menos quantidade, com mais qualidade e entender que a jornada de produção deve ser prazerosa e com objetivos claros. 

Mas nesse mundo acelerado onde a gente come ouvindo um podcast, deslizando pelo feed do Instagram e respondendo ao WhatsApp, parece uma utopia falar em slow content, certo? 

Acontece que o efeito do ritmo acelerado de consumo de conteúdo no nosso organismo é tão bombástico quanto o almoço devorado em 5 minutos. Já existe até uma doença detectada, a Síndrome do Pensamento Acelerado, que se estima atingir 80% da população brasileira. 

Então por que não dar uma desacelerada? Precisamos mesmo seguir todos aqueles perfis e acompanhar todas as postagens? 

Precisamos produzir diariamente tanto conteúdo? Quem consome está processando a informação ou só rolando no feed e clicando no “curtir”? 

Mais vinho e menos refrigerante

O slow content segue o conceito do slow food, um movimento criado pelo italiano Carlo Petrini, na década de 1980, que defende o momento da refeição como algo sagrado e prazeroso (e vamos combinar que de prazeres da boa mesa os italianos entendem). 

Seria um sacrilégio beber uma taça de vinho e devorar uma macarronada com massa e molho caseiro em 15 minutos e ao final achar que você comeu bem. Você não comeu, simplesmente engoliu para saciar a fome. 

O movimento veio em oposição ao fast food, no qual o hambúrguer e o refrigerante foram concebidos para consumo rápido, no carro, no trabalho ou na rua.

Com o consumo de conteúdo não é diferente. Quantas vezes você já curtiu algo que nem mesmo leu? Qual o sentido de sobrecarregar seu cérebro com milhares de informações que não têm tempo de serem processadas? 

E ao final do dia os sinais de esgotamento mental surgem: cansaço extremo, irritabilidade, falta de sono. Cansa só de pensar!

E o que faço com os algoritmos? 

Mas você deve estar se perguntando: e o que eu faço com os algoritmos das redes sociais, que me empurram para o abismo da produção e mais produção? 

Bem, a verdade é que eles vão continuar existindo. Mas a boa notícia é que o comportamento das pessoas aos poucos está mudando. A internet e as redes sociais estão abarrotadas de conteúdos praticamente iguais e que ninguém aguenta mais. Muda um pouco a forma, a linguagem, mas no fundo os assuntos são os mesmos. 

Então talvez seja o momento de educar o seu público para um conteúdo mais qualitativo. 

De que vale preencher o blog e as redes sociais com posts diários rasos que vão exigir tempo de produção e, na maioria das vezes, não geram um engajamento real com o público? 

A pergunta que não quer calar é: onde eu realmente quero chegar com meu conteúdo? Ter seguidores e likes (métrica da vaidade) ou trazer algo que agregue valor para quem está consumindo? 

Se você comparar de novo com a experiência gastronômica, certamente a macarronada caseira, que levou um par de horas para o preparo da massa e do molho, vai ficar na sua memória por muito mais tempo do que o hamburguer do fast food. 

E é isso que queremos com o slow content: criar memórias afetivas com o conteúdo, que possa ser consumido com tempo e prazer. De quebra, sua marca ganha autoridade por se diferenciar neste mundo tão igual da internet e das redes sociais.  

Dicas práticas para começar

Para sair do ritmo acelerado é preciso mudar o mindset da produção. O calendário de posts vai ter que ser revisto e ganhar respiro. Ninguém consegue produzir com qualidade e profundidade em modo acelerado. 

Relevância

Os assuntos precisam ser de fato relevantes para gerar impacto na sua audiência. Pesquise, converse e ouça seu público para entender  o conteúdo que vai agregar  na vida das pessoas.

Amplie o repertório

O mundo da internet é rápido e simples, mas acaba sendo repetitivo. Está tudo ali, a um clique no Google. Amplie as fontes de pesquisa no mundo offline: livros, filmes, documentários, histórias reais de amigos. Tudo isso pode ser fonte de inspiração para criar narrativas mais densas e verdadeiras. 

Releia

Um dos segredos para aprimorar textos é reler. 

Como a massa de um pão, que precisa de tempo para crescer, o seu cérebro também precisa desse tempo de descanso para voltar no texto e lapidá-lo (esse aqui foi produzido em dois dias). 

Se possível, peça  para um colega ler e entenda o impacto que o texto gerou para ele. 

Tempo é tudo

Humanos produzem conteúdo para humanos consumirem. Parece óbvio, mas às vezes queremos supermáquinas gerando conteúdo rapidamente para preencher aquele calendário diário para o algoritmo. 

Para produzir um conteúdo com profundidade é necessário tempo e pesquisa, não tem milagre! E se você acha que isso não é relevante, talvez considere contratar um robô para produzir texto. 

Sim, já existem robôs que são treinados para produzir conteúdo utilizando machine learning. Bem, mas se já está tudo pasteurizado hoje, imagine com a produção dos robôs tomando conta da internet?! 
Para finalizar, se o slow content parece um grande desafio, comece a praticar o movimento slow em outros campos da vida. Que tal começar trocando o fast food pelo slow food? Pode ser um bom começo para treinar seu cérebro a desacelerar.

Referências:

O que é slow content?

Slow contente: por um conteúdo desacelerado

Você sabe o que é slow content? Conheça a prática e os seus mandamentos

Slow Content: como criar menos conteúdo e gerar mais impacto na sua audiência

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